Comércio: pode a arquitetura torná-lo mais seguro ante a prática do crime?

Diversas são as formas de aplicação dos princípios da Arquitetura na Prevenção do Delito (APD – para mais, acesse aqui) na melhoria da qualidade de vida do usuário, no contexto da segurança física e patrimonial. Das diversas estratégias possíveis, considere:

Controlar o acesso: garantir barreiras que impeçam o acesso de pessoas desautorizadas a todos os pavimentos ou ambientes da edificação, indistintamente. Um balcão de atendimento posicionado de forma adequada; mobiliário disponibilizado em combinações que simulam muretas que impeçam livre entrada a qualquer área, e; sinalização de solo são exemplos que podem impedir ou mesmo selecionar o acesso de pessoas por níveis de privacidade

Vigiar e monitorar pelo desenho do ambiente: especialidade do profissional de arquitetura, trata-se de estratégias de desenho ambiental após detida análise do funcionamento comercial, garantindo poder de vigilância que aumente a capacidade de detecção de potenciais riscos, anulando ações inadequadas ou nocivas e auxiliando na intervenção das autoridades policiais, caso necessária; a eliminação de espaços cegos com o deslocando de prateleiras, o reposicionamento dos “Caixas” de pagamento de forma a permitir que o funcionário melhor possa observar a aproximação de pessoas, o redirecionamento de filas de clientes são estratégias que podem contribuir para a melhor controle visual

Empregar dispositivos e sistemas de vigilância: muitas vezes instalados por técnicos conhecedores profundos dos sistemas em si, das qualidades dos produtos, sem que tenham a ótica especializada do estudo do espaço e das diversas modalidades da prática do crime, podem vir a converter-se de investimento a custo: por princípio, são equipamentos caros, onerosos, que se tornam obsoletos simplesmente por um simples posicionamento inadequado ou pelo tipo impróprio de emprego; ao invés de câmeras de última geração, por exemplo, sistemas mais simples –  tal o detector de movimentos – podem vir a substituí-las com mais precisão e a um menor custo

Estudar vizinhança, o zoneamento e o uso de solo: legislações definem destinação dos espaços para determinados fins, o que pode, em casos específicos e com estudos conjuntos entre representante da edificação e autoridades locais, mostrar-se inadequado pontualmente; o respeito à finalidade para a qual a instalação foi criada e a adoção de políticas adequadas de uso dos terrenos e prédios adjacentes podem garantir que o dia-a-dia transcorra com maior segurança; um terreno baldio ao lado de uma edificação, se não aparada a vegetação, poderá encobrir infratores da lei que optem por destruir as paredes limítrofes para a prática do delito sem que os usuários das vias possam perceber

Gestão de rotinas: incluir instruções, nos treinamentos de aprimoramento profissional, de comportamentos que eliminem ou minimizem a possibilidade de ser alvo de ações criminosas – tais a alternância de horários e trajetos de movimentação de dinheiro em espécie, a aproximação e familiaridade com policiais que atuam nas imediações, evitar distrações com dispositivos móveis enquanto abre ou fecha o comércio (garantindo maior atenção ao entorno) são exemplos de rotinas de prevenção

Proteger usuários: com a disponibilização de equipes de segurança e escolta para casos especiais, cujo perfil de negócios exija maior atenção com a segurança, tais junto aos consumidores de joalherias e do ramo comércio de alto padrão, o que garante maior confiança e credibilidade ao cliente, alinhando-se, inclusive, como estratégia de marketing

Interagir socialmente: a vigilância natural pode se dar com um vizinho que tenha o hábito de se assentar à janela para somente apreciar o movimento nas vias – sua simples presença inibe a prática de atos nocivos -, o que confirma que simpatia e aproximação com vizinhança pode gerar coesão do grupo e confiança recíproca, alertando, gratuita e imediatamente, assim que pessoas em atitudes suspeitas apareçam

Participar de núcleos de segurança: tanto informalmente (juntando os vizinhos) quanto nos chamados Conselhos Comunitários de Segurança (entidades oficialmente reguladas por instâncias governamentais cujo foco é discutir, analisar e planejar soluções para questões afins à segurança, estreitando laços entre seus diversos atores), esta participação tem como objetivo difundir medidas preventivas e de repressão ao crime e demais delitos de forma a garantir confiança entre os diversos atores do comércio, bem como estreitar laços entre si

Garantir identidade territorial: diminuir o interesse de aproximação de pessoas mal intencionadas, desencorajando-as a ultrapassarem os limites espaciais definidos entre áreas pública e privada, como, exemplarmente, por medidas de reforço territorial, de manutenção: limpeza diária dos passeios públicos, eliminação de pichações, retirada de entulhos e ervas daninhas – práticas que, ao invés de deixar o zelo com as vias públicas somente sob responsabilidade do gestor público, sinaliza que, naquele trecho, as pessoas se preocupam e tomam para si a responsabilidade e a mantença – o que contribui no afastamento dos infratores da lei

Assegurar a boa imagem da vizinhança: pela interação com seus diversos públicos, de forma a transmitir conceitos que expressem o zelo com a boa imagem comum aos usuários, mantendo elevados os níveis de percepção da população quanto ao prestígio e reputação do seu comércio; é a somatória da boa impressão que se passa quando diversos atores locais assumem a prática do item acima, da garantia da identidade territorial

Obviamente que as propostas acima não são excludentes nem estanques: como todo sistema de segurança, é da combinação de suas diversas funcionalidades que nasce a totalidade – a qualidade completa em segurança, o funcionamento em sistema propriamente dito. Sempre com a consultoria de um profissional de arquitetura formado, treinado e com expertise suficientemente comprovada no segmento da segurança.

2 comentários

  • Calos Alberto Orvate

    Olá! Tomei a liberdade de divulgar e compartilhar seu trabalho em outro ambiente colaborativo que participo. Gestores Estratégicos de Segurança.

    • Olá! Fique à vontade… só não sou assíduo por aqui – a vida profissional ainda muito me consome. Obrigado e fique, mesmo, à vontade.

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